CLÁUDIO GELAPE

Clinica de cirurgia cardiovascular

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Conhecendo a Doença de Chagas

A doença de Chagas representa uma condição infecciosa (com fase aguda ou crônica) classificada como enfermidade negligenciada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A OMS estima em aproximadamente 6 a 7 milhões o número de pessoas infectadas em todo o mundo, a maioria na América Latina.

Essa é uma das doenças endêmicas que mais matam no Brasil, por isso representa um importante problema de saúde, já que entre 1,5 milhão e 4 milhões de pessoas estão infectadas no país. Segundo estudos recentes, a maior prevalência da doença ocorre entre mulheres maiores de 60 anos, residentes nas regiões Nordeste e Sudeste e em áreas mistas, urbana/rural. O estado de Minas Gerais é o que apresenta maior incidência de transplantes cardíacos por Chagas do Brasil.

História e ciclo da Doença de Chagas

A Doença de Chagas foi diagnosticada pela primeira vez em 1909, quando o cientista mineiro Carlos Chagas detectou a presença do protozoário Trypanosoma cruzi em uma criança febril de dois anos. O barbeiro, inseto transmissor da doença, pode infectar as pessoas através de suas fezes contaminadas. Outras formas de transmissão acontecem pela gravidez (da mãe para o feto), por transfusão de sangue e transplante de órgãos. No Brasil também foi diagnosticada a transmissão por via oral, principalmente pelo consumo de cana-de-açúcar e açaí.

Após o período de incubação, que varia de 5 a 14 dias, o protozoário cai na circulação atingindo os gânglios, o fígado e o baço para depois se alojar no intestino, coração e esôfago.

São duas fases de evolução da Doença de Chagas: uma aguda e outra crônica. A fase aguda se caracteriza pelo aparecimento de um conjunto de manifestações de intensidade variável, podendo ou não haver sintomas. Caso haja, eles se manifestam em febre, inchaço nos olhos, mal estar e dor nos gânglios. Às vezes demoram anos para que a pessoa perceba que está infectada. Em sua fase crônica – forma clínica de maior prevalência – a Doença de Chagas pode provocar o relaxamento muscular culminando no aumento do intestino, esôfago e coração. Essa manifestação é irreversível e muitas vezes exige o transplante do órgão afetado.

Forma cardíaca da Doença de Chagas

A Cardiopatia Chagásica Crônica (CCC) é a forma clínica sintomática mais prevalente da Doença de Chagas, responsável pela elevada carga de morbidade e com grande impacto social.

Entre as características mais peculiares da CCC destacam-se seu caráter inflamatório e de fibrose, presença de arritmias, elevada incidência de morte súbita e de fenômenos de trombose, além de disfunção ventricular direita e aneurismas ventriculares.

O tratamento da Cardiopatia Chagásica é o mesmo da Insuficiência Cardíaca (IC), podendo ser feito com medicamentos. Porém, em boa parte dos casos, pode ser necessário o transplante do órgão.

Vale observar que até 30% das pessoas cronicamente infectadas poderão vir a apresentar alterações cardíacas, e que até 10% poderão apresentar alterações digestivas, neurológicas ou mistas. Esses dados mostram a necessidade de estruturação e de atenção à saúde dos infectados pela Doença de Chagas no país.